Carência capitalista

Meu desespero é genuíno e aparente
Me corta a alma uma dor latente
Transborda na face como água do mar
Será que eu deveria me importar?

Não tem motivos nobres essa dor
Sei que não deveria desejar
Mas já não suporto mais evitar
O que mais humano que buscar amor?

Não é a fase adequada, está claro
Ocupei minha rotina de tarefas úteis
Mas a busca é incessante, não paro
Quero focar parte de mim em coisas fúteis

Trabalhe enquanto se divertem
Tento repetir como um mantra
Pense o tempo todo que competem

Não deixe piscar, pode passar uma ameaça
Você está vendo, como eles usam trapaça
Mas você pode vencer pelo suor
Amor é coisa de gente pior
Que não está focada como você
Batalhando para o mundo vencer

Camila Sant'Anna de Oliveira

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